As 10 maiores lendas folclóricas do Rio Grande do Sul

Tu conhece as lendas folclóricas do Rio Grande do Sul? Pois saiba que nosso estado é uma terra rica em histórias e tradições. Muito além do tradicional churrasco e do chimarrão, o folclore gaúcho é repleto de lendas e mitos que refletem a identidade e a cultura da região.

Neste artigo, exploraremos as 10 maiores lendas folclóricas do Rio Grande do Sul.

Leia também: 5 Lendas urbanas de Porto Alegre ATERRORIZANTES.

Negrinho do Pastoreio

Negrinho do Pastoreio
Monumento ao Negrinho do Pastoreio em São Francisco de Paula.

Há muito tempo atrás, em uma fazenda, havia um menino negro escravo. Ele era responsável por pastorear cavalos e era constantemente maltratado pelo seu senhor.

Certa vez, o guri perdeu um dos cavalos mais valiosos da fazenda. Como punição por este erro, o cruel fazendeiro o castigou amarrando-o nu em um formigueiro e depois o chicoteou. No dia seguinte, o senhor foi verificar o corpo do menino, mas, para sua surpresa, encontrou-o são e salvo, ao lado de Nossa Senhora, que curava suas feridas. Ao seu lado, estava também o cavalo perdido.

Desde então, acredita-se que o Negrinho do Pastoreio anda pelos campos do sul, montado no cavalo que perdeu, ajudando pessoas a encontrar coisas perdidas. Quando os gaúchos perdem algo, muitos acendem uma vela para o Negrinho do Pastoreio, na esperança de que ele os ajude a encontrar o objeto perdido.

A Noiva da Lagoa dos Barros

Segundo a lenda, há muitos anos atrás, uma jovem estava prestes a se casar. No dia de seu casamento, vestida com seu traje de noiva, ela estava a caminho da igreja quando algo terrível aconteceu. As versões variam, mas em uma das mais conhecidas, a carruagem que a transportava sofreu um acidente e ela morreu afogada nas águas da Lagoa dos Barros.

Desde então, em noites escuras, especialmente quando a neblina toma conta da região, muitos afirmam ter visto a figura de uma mulher vestida de noiva, caminhando silenciosamente pelas margens da lagoa. Outros contam que ouvem gemidos e lamentações vindas da direção da lagoa, como se a noiva ainda estivesse em busca de seu amado ou tentando chegar ao seu casamento.

Há quem diga que ela aparece para os motoristas que passam pela estrada próxima, tentando pedir ajuda, mas desaparece assim que alguém tenta se aproximar.

Lenda da Erva-Mate

Há muito tempo atrás, em uma aldeia guarani, vivia um velho índio, conhecido como Caá-yari (Senhor da Erva). Este índio possuía uma neta chamada Jary, com quem tinha uma ligação muito especial. Ambos viviam felizes, mas algo inesperado aconteceu. Uma tribo inimiga atacou a aldeia, causando destruição e morte.

Caá-yari e Jary conseguiram escapar e se refugiaram na floresta. No entanto, devido à sua idade avançada e ao cansaço, Caá-yari sentia que seus dias estavam chegando ao fim. Antes de partir, fez um pedido à deusa Lua, que sempre o iluminava à noite. Ele pediu que ela lhes desse forças para seguir em frente, oferecendo sua própria vida em troca da felicidade e segurança de sua neta.

A deusa Lua, tocada pelo amor e sacrifício do velho índio, desceu à Terra acompanhada do deus das nuvens e ventos. Eles não aceitaram o sacrifício de Caá-yari, mas ofereceram um presente em troca de sua coragem e amor: transformaram o velho índio em uma planta robusta e forte. Jary foi instruída a colher as folhas desta planta, moer e preparar uma bebida com ela. A bebida daria força, coragem e saúde àqueles que a consumissem.

A planta era a erva-mate, e a bebida preparada com ela era o chimarrão. Desde então, os povos indígenas começaram a consumir o chimarrão como uma maneira de obter força, compartilhando a bebida em roda como sinal de união e amizade.

Lenda do João-de-Barro

A origem do João de Barro está ligada a um ritual indígena de casamento, onde os pretendentes devem passar por várias provas para conquistar a mão da mulher amada. Jaebé, o filho de um caçador, se submete a essas provas para conquistar a índia por quem está apaixonado. Ele passa por diversos desafios e, finalmente, enfrenta o mais difícil de todos: um jejum de nove dias, com o corpo envolto em um manto de couro.

Ao final do jejum, os juízes se surpreendem ao encontrar Jaebé vivo. Ele então começa a se transformar, tomando a forma de um hogaraitai, o pássaro conhecido como joão-de-barro. João de Barro é o “símbolo da vida doméstica” e celebra o trabalho árduo.

A noiva de Jaebé também se transforma em pássaro e o acompanha, gritando de alegria. Juntos, eles voam pelos bosques, cantando o “hino do trabalho”.

Lenda da Índia Obirici

Lenda da Índia Obirici
Monumento à Índia Obirici em Porto Alegre

Na região das Missões, onde jesuítas espanhóis estabeleceram aldeamentos com os índios guaranis, viveu Obirici, uma bela jovem indígena. Ela era filha do cacique da tribo e era conhecida não apenas por sua beleza, mas também por sua bondade e seu amor ao seu povo.

A índia Obirici se apaixonou por um jovem guerreiro de sua tribo, mas seu amor não estava destinado a ser fácil. A chegada dos invasores espanhóis e portugueses trouxe consigo uma série de conflitos, e, durante uma batalha, o amado de Obirici foi gravemente ferido.

Desesperada para salvar seu amado, Obirici buscou a ajuda de uma pajé da tribo, que lhe deu uma erva mágica com o poder de curar qualquer ferimento. No entanto, essa cura tinha um preço: a vida de quem administrasse a erva. Sem hesitar e movida pelo profundo amor que sentia, Obirici decidiu sacrificar sua própria vida para salvar o guerreiro.

Após administrar a erva e ver seu amado se recuperar, a índia Obirici dirigiu-se ao topo de uma colina, onde se transformou em pedra, tornando-se um marco eterno do amor sacrificial e da resistência indígena.

A pedra, que segundo a lenda é a Índia Obirici, ainda pode ser vista na região das Missões e é um símbolo do amor e da resistência do povo guarani diante das adversidades e da invasão europeia.

Lenda do Quero-Quero

Segundo a lenda, no início dos tempos, quando Maria, José e o menino Jesus estavam em fuga, frequentemente buscavam refúgio à noite, ocultando-se nos campos e bosques. Durante o dia, procuravam abrigo nas grutas das montanhas, evitando o calor intenso e, principalmente, os soldados que buscavam Jesus para matá-lo.

Em uma dessas ocasiões, enquanto tentavam se esconder, Nossa Senhora pediu a todos os animais e pássaros que ficassem em silêncio, temendo que qualquer barulho pudesse atrair os soldados perseguidores. A natureza, reconhecendo a gravidade do momento, obedeceu prontamente. O burro, que carregava Maria e o menino Jesus, caminhava com passos leves e cautelosos, como se compreendesse a importância de sua tarefa. As aves, por sua vez, permaneciam imóveis, sem bater as asas ou emitir qualquer som.

No entanto, o quero-quero, ave conhecida por seu comportamento vigilante e alerta, não atendeu ao pedido de silêncio. Contrariando as súplicas de Nossa Senhora, ele continuou a vocalizar seu canto característico, soando “quero, quero, quero…” em seu tom agudo. Como resultado, a Virgem Maria, frustrada com sua desobediência, amaldiçoou o quero-quero. Assim, até os dias de hoje, a ave continua emitindo seu chamado incessante, sempre em busca de algo que nunca encontra.

A lenda do quero-quero reflete os valores culturais e espirituais presentes nas histórias populares brasileiras, ao mesmo tempo em que ressalta características intrínsecas da ave, como sua natureza alarmista e sua vocalização distintiva.

A lenda da Teiniágua (Salamanca do Jarau)

No cerro do Jarau, localizado na região da Quaraí, há uma gruta que, segundo a lenda, é a entrada para um mundo subterrâneo repleto de riquezas. Este lugar é também conhecido como “Salamanca do Jarau”.

A história conta que uma princesa moura foi transformada em Teiniágua, uma pequena serpente com uma pedra preciosa incrustada na cabeça, como punição por ter se apaixonado por um cristão. A princesa fugiu de sua terra natal, na Espanha, e veio parar nas terras gaúchas, onde se escondeu na gruta do Jarau.

Um dia, um peão chamado Blau Nunes aproximou-se da gruta em busca de uma rês perdida. Ele encontrou a Teiniágua e, encantado com a pedra preciosa em sua cabeça, tentou capturá-la. No entanto, foi surpreendido quando a serpente se transformou na bela princesa moura.

A princesa contou sua triste história a Blau Nunes e, juntos, decidiram entrar na gruta. Lá dentro, encontraram um mundo subterrâneo deslumbrante, cheio de tesouros. A princesa, desejando libertar-se da maldição, pediu a Blau que não tocasse em nada. No entanto, encantado pela riqueza, ele não resistiu e pegou algumas moedas de ouro.

Ao fazer isso, a gruta começou a tremer e a princesa, desesperada, transformou-se novamente na Teiniágua e fugiu, deixando Blau Nunes preso para sempre nas profundezas da Salamanca do Jarau.

Dizem que, em noites de lua cheia, é possível ouvir os lamentos de Blau Nunes ecoando da gruta, e que a Teiniágua ainda pode ser vista vagando pelas redondezas, sempre à espera de alguém que possa libertá-la da maldição.

Lenda do Ahó Ahó

Segundo a lenda, nas vastas campinas do Rio Grande do Sul, quando a noite caía e o silêncio tomava conta, um grito peculiar poderia ser ouvido ao longe: “Ahó… Ahó…”. Este era o chamado do temido Ahó Ahó, uma entidade espectral que vagava pelo pampa nas noites mais escuras.

A descrição desta criatura varia, mas geralmente, é retratada como uma figura alta, encurvada, envolta em trapos, com longos braços e pernas desproporcionais. Suas características mais notáveis, contudo, são seus olhos vermelhos brilhantes e seu grito característico que dá nome à criatura.

Muitos acreditam que o Ahó Ahó é o espírito de um antigo guerreiro indígena ou de um peão que, por alguma razão, não encontrou descanso após a morte e agora vaga eternamente pelas planícies. Outros dizem que é uma entidade da natureza, um guardião das terras gaúchas.

Uma das versões mais comuns da lenda diz que, se você ouvir o grito do Ahó Ahó, nunca deve responder ou tentar seguir o som. Se o fizer, a criatura poderá te capturar e você jamais será visto novamente. Para os habitantes locais, o grito do Ahó Ahó era um lembrete para permanecerem seguros em suas casas durante a noite e respeitarem os mistérios do pampa.

Lenda da Sereia da Furna do Diamante

Nas misteriosas Furnas de Torres, além das majestosas paisagens naturais que encantam os olhos de quem as observa, existe um segredo guardado por uma criatura sobrenatural: a Sereia do Diamante. Mais do que a própria beleza das paisagens, é a lenda desta sereia que cativa os corações daqueles que ouvem sua história.

Conta-se que esta sereia é a protetora da Furna do Diamante. Mais do que a simples proteção do local, ela é a guardiã de um esconderijo secreto, oculto nas profundezas da gruta, onde estão acumuladas riquezas inimagináveis em forma de pedras preciosas, com destaque para os cintilantes diamantes.

Em noites de sexta-feira, quando a lua cheia se levanta no céu, iluminando as águas em prateados reflexos, a sereia emerge da gruta. Quem tiver a rara sorte (ou talvez azar) de cruzar com ela, será surpreendido com um pedido inusitado: a sereia pedirá um pente. Com seus longos e radiantes cabelos, ela precisa deste utensílio para mantê-los sempre belos.

Aqueles corajosos o suficiente para entregar o pente à sereia serão recompensados. Em agradecimento, ela revelará o local exato onde o tesouro das Furnas está escondido. Como testemunho da veracidade dessa história, muitos pentes foram encontrados nas proximidades da Furna, objetos deixados por aventureiros, moradores e sonhadores que esperavam conseguir o favor da sereia.

Lenda de Sepé Tiaraju

Lenda de Sepé Tiaraju
Monumento à Sepé Tiarajú em São Luiz Gonzaga.

Sepé Tiaraju foi um líder guerreiro dos índios Guarani, nascido nas Missões Jesuíticas, um projeto que buscava catequizar e “civilizar” os indígenas na região do atual estado do Rio Grande do Sul e partes do Paraguai e Argentina.

Batizado como Joseph Tyarayu, esse índio foi marcado por um destino traçado por Deus e São Miguel, tornou-se notório por sua habilidade em combate e estratégia. Contudo, através das gerações, uma lenda se perpetua e se entrelaça com os relatos históricos.

Sepé, cujo nome em tupi-guarani significa “raio de luz”, possuía um distintivo lunar, que, segundo a crença, iluminava o caminho de seus guerreiros nas batalhas. “Em sua penitência estava/ Que sua imagem diurna/ Com as demais se assemelhava…/ Mas à noite, sua silhueta mudava…”

O líder Guarani é mais lembrado por sua resistência e liderança na Guerra Guaranítica, que aconteceu entre 1753 e 1756. Este conflito foi desencadeado pelo Tratado de Madrid, assinado em 1750, que buscava redefinir as fronteiras entre as colônias de Portugal e Espanha na América do Sul. Como resultado, os territórios das Missões Jesuíticas seriam transferidos da Espanha para Portugal, forçando milhares de indígenas a se deslocarem.

Sepé Tiaraju e os Guarani resistiram a essa decisão, resultando em várias batalhas contra as tropas espanholas e portuguesas. A famosa frase atribuída a Sepé, “Esta terra tem dono”, reflete o sentimento e a determinação dos indígenas em defender suas terras e seu modo de vida.

Infelizmente, em 1756, Sepé Tiaraju morreu, e pouco depois, as forças missioneiras foram derrotadas. No entanto, sua luta e seu legado continuam vivos na memória e na cultura do povo gaúcho e brasileiro como um todo. Em reconhecimento à sua importância, Sepé Tiaraju foi declarado herói nacional brasileiro em 2009.

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Priscilla Kinast

Priscilla Kinast

Priscilla Kinast é redatora de web sites há cerca de 8 anos, tendo ao todo 15 anos de experiência com produção de conteúdo para a internet. Graduada em Administração de Empresas (Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre), encontrou sua verdadeira paixão na administração de websites.

Devido sua experiência com redação de conteúdo, obteve registro profissional como jornalista pelo Ministério do Trabalho (Registro Profissional: 0020361/RS).

É porto-alegrense raiz, nascida e criada na zona norte da cidade, mas muito apaixonada pela zona sul e pela orla do Guaíba. Ama a cidade e está sempre em busca de trazer mais informações que possam ajudar seus conterrâneos a curtirem mais o que Porto Alegre tem para oferecer!

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